A importância das Avaliações Empresarias - Gestão Pelo Valor
A Revista Exame Pequenas e Médias Empresas publicou, em sua última edição nº 39 – julho de 2011, interessante reportagem sobre a importância das avaliações periódicas das empresas como ferramenta gerencial para a tomada de decisões estratégicas. Referida reportagem indica quatro metodologias: o método comparativo, que estabelece o valor da empresa através da comparação de transações de empresas similares, o método dos múltiplos, que estabelece o valor da empresa, também através de comparações com empresas similares, onde o valor é obtido através de um multiplicador do EBITDA (sigla americana para ganhos antes das taxas de juros, imposto de renda e contribuição social, depreciação e amortização), índice que mede o desempenho operacional, o método patrimonial, que estabelece o valor como a somatória de todos ativos financeiros e imobilizados a valores de mercado, e, finalmente, o método do fluxo de caixa descontado, que determina o valor com base na capitalização dos resultados futuros. É importante sublinhar que, na ótica do acionista, de todos os valores acima obtidos devem ser subtraídas todas as dívidas da empresa.
A reportagem, oportunamente, ilustra e exemplifica a questão apresentando a avaliação da empresa Farben do estado de Santa Catarina, com a utilização dos quatro métodos referidos.
Para nós, profissionais especialistas nesta área, responsáveis pela Lautec Equipe Técnica Engenharia, empresa de forte atuação nos mercados interno e externo em Engenharia Econômica, de Avaliações e Perícias, tal reportagem é uma grata surpresa por duas razões: a primeira é que vem ao encontro do que sempre apregoamos, isto é, a importância das avaliações periódicas para fins gerenciais, o que tomamos a liberdade de designar como “Gestão Pelo Valor”, definição esta tomada emprestada do economista Luiz Guilherme Tinoco Aboim Costa, importante e renomado mestre que tivemos na cadeira de Avaliação de Empresas do curso de MBA Executivo da Fundação Getúlio Vargas. A segunda, pelo fato que a Lautec efetuou, em 2010, a avaliação da conta máquinas e equipamentos da empresa utilizada como exemplo.
Inferem-se da análise minuciosa da reportagem, duas conclusões muito importantes, primeiro que a avaliação patrimonial tem uso restrito a apenas algumas empresas de ramos específicos, entre outras, por exemplo, transportadoras ou construtoras, onde os bens tangíveis como veículos de carga e terrenos e imóveis em estoque, teriam um peso financeiro bastante elevado, ou em empresas em liquidação. A segunda, que o método do fluxo descontado, na maioria das vezes, tem a sua utilização mais adequada e recomendada.
Em nosso entendimento, mas não em detrimento ao conteúdo da muito bem elaborada reportagem, é importante destacar que há outro e importante conceito, denominado “Modelo do Lucro Econômico (Valor Econômico Adicionado)” que estabelece a ligação entre as duas metodologias citadas no parágrafo acima, ganhando ambas importância fundamental no contexto avaliatório.
O conceito EVA® (Economic Value Added), desenvolvido pela consultoria Stern & Stewart Company, mede se o ativo econômico investido pela empresa está sendo bem aplicado, isto é, se está criando valor para os acionistas ou não. Portanto, o lucro econômico EVA® é uma forma de medir a verdadeira lucratividade das operações.
O EVA® corresponde a diferença entre o lucro da atividade, após a incidência do imposto de renda e da contribuição social, e o custo do capital investido que, por sua vez, corresponde ao ativo econômico médio multiplicado pelo custo médio ponderado de capital (custo do capital próprio e de terceiros).
Como o ativo econômico é dado pelo somatório entre a necessidade de capital de giro, imobilizado a valor de mercado e diferido, surge, portanto, a importância fundamental da avaliação mercadológica do ativo imobilizado, também conhecida, como Avaliação Patrimonial.
A Stern & Stewart Company registrou, também, outra marca denominada Market Value Added - MVA®, traduzido como valor de mercado agregado, que indica o valor econômico da empresa e corresponde à capitalização do lucro econômico anual - EVA ao longo de um período de análise, descontado ao custo médio ponderado de capital, considerando, também o valor residual. Aí está, portanto, a metodologia do fluxo de caixa descontado, onde se capitalizam os lucros econômicos – EVA®.
Assim, considerando que o valor da empresa pela metodologia EVA®/ MVA®, não abordada na reportagem, talvez, até, pelo caráter extremamente técnico do assunto, é identificado pela soma do MVA®, do ativo econômico e dos ativos operacionais, ganham imensa importância duas metodologias, a patrimonial e a do fluxo de caixa descontado.
Finalmente, é importante destacar que a metodologia do fluxo de caixa descontado e a metodologia EVA®/MVA®, conduzem ao mesmo resultado, porém, a segunda metodologia, como ferramenta, em nosso entender, é mais eficaz para a gestão com base na análise das flutuações do valor da empresa, uma vez que permite, através da simulação de diversos cenários, modificando as diversas variáveis operacionais, econômicas e financeiras envolvidas no processo, adequar as decisões estratégicas à agregação de valor para a empresa.