Artigo postado em 09/09/2011

Pequenas e Médias Empresas – Padrões Internacionais de Contabilidade

Para a Lautec o ano de 2010 caracterizou-se por intensa atuação em trabalhos avaliatórios e de ativo imobilizado para empresas de capital aberto e para empresas de grande porte, ou seja, empresas ou grupo de empresas, cujo ativo total é maior que R$ 240.000.000,00 ou a receita bruta anual ultrapassa R$ 300.000.000,00. O que motivou este aumento de demanda para empresas desta natureza foi a entrada em vigor da Lei 11.638/07 que determinava para estas a obrigatoriedade da convergência dos padrões contábeis brasileiros aos internacionais, o chamado IFRS (International Financial Reporting Standard).

A partir de 2011, há a determinação para que as pequenas e médias empresas brasileiras também se adaptem aos padrões internacionais. Entretanto, o que se observa é que, entre estes tipos de empresas, poucas são aquelas que têm tomado iniciativas em busca desta adaptação. A terceirização da contabilidade destas empresas é prática usual entre as mesmas, e os profissionais e empresas responsáveis por esta terceirização, com os quais mantemos estreita ligação em eventos e cursos, como, por exemplo, o SESCON Serra Gaúcha, onde ministramos cursos voltados à interpretação de trabalhos avaliatórios e de ativo imobilizado, externaram a sua preocupação com esta inércia.

Até então, a cultura das PME que se tinha no que tange à definição da contabilidade empresarial, terceirizada ou não, é que esta apenas existia pela necessidade de prestar contas ao fisco, para geração de guias de impostos, folha de pagamento, e outras tarefas, mas, não, ainda, como uma importante ferramenta gerencial intrínseca à gestão eficiente.

Esta cultura está mudando e se vê a tendência de intensificação dos esforços das PMEs em busca da adequação de suas contabilidades aos padrões IFRS. A explicação para isso é que a situação econômica favorável verificada atualmente no Brasil vem atraindo investimento externo nas PME locais, na forma de parcerias comerciais, fusões, compra de empresas, etc.

Muitos são os exemplos claros destes investimentos externos em nosso país, um deles é caso de países europeus, como Itália, Espanha, Portugal, etc., cuja melhoria de sua situação econômica passa pela necessidade de exportar ou de abrir novos mercados em economias em desenvolvimento, caso do Brasil. Estas empresas estrangeiras buscam, muitas vezes, parcerias, fusões ou compra  de empresas nacionais. Naturalmente, neste ambiente, estas empresas deverão ter as suas contabilidades adequadas aos padrões IFRS.

Outro exemplo são as operações de APO (Alternative Public Offering) feitas na NYSE (Bolsa de Valores de Nova York), que objetivam a capitalização de empresas nacionais. Entretanto, da mesma forma, as empresas deverão ter as suas contabilidades adequadas aos padrões IFRS.

Finalizando, é de extrema importância a adoção do IFRS pelas PME de forma que seus balanços possam ser analisados em qualquer nação, com vistas, não só de estar apto a atrair investimentos, mas também para dispor de demonstrações contábeis e financeiras uniformes, confiáveis e transparentes, que propiciem melhores decisões estratégicas.

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